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Infecção Urinária – Cistite e Pielonefrite.


A infecção do trato urinário (ITU) constitui uma das principais causas de consulta na prática médica, só perdendo para as infecções respiratórias.

As ITUs podem manifestar-se em qualquer idade. Entretanto, existe uma maior prevalência em três grupos etários: crianças até os seis anos de idade, mulheres jo­vens com vida sexual ativa e na população com mais de sessen­ta anos de idade. As infecções do trato urinário (ITUs) são mais comuns em mulheres do que em homens exceto nos primeiros 2 anos de vida. 25-30% das mulheres entre 30-40 anos de idade apresentam ITU e após tratamento a chance de uma recidiva é de 25%. A prevalência da ITU aumenta com a idade devido, principalmente, a diminuição hormonal.

Define-se como infecção urinária a presença de microorganismos no trato urinário (rins, sistema coletor, bexiga, próstata e uretra), geralmente provocadas por bactérias, porém fungos e vírus também podem ser agentes etiopatogênicos.

A urina é habitualmente estéril em decorrência da presen­ça de mecanismos de defesa inerentes ao trato urinário evitando a invasão bacteriana. As ITUs surgem quando ocorre desequilíbrio entre agressividade bacteriana e os mecanismos de proteção local. ITU é causada por uma colonização bacteriana do trato urinário (inicialmente uretra e bexiga podendo progredir até os rins). A bactéria mais comum é a E. Coli, sendo responsáveis por 70-80% das infecções.

Nas mulheres com baixa hormonal (menopausa), ocorre mudança da flora vaginal normal, levando a uma maior propensão de colonização local por bactérias intestinais. Além disso, mulheres com quadro de perda urinária em uso de absorventes podem apresentar maior predisposição a ITU. Nos homens com mais de 50 anos de idade, a hiperplasia prostática benigna pode ocasionar obstrução infra veiscal o crescimento da próstata levando a uma dificuldade de esvaziamento vesical. Esses indivíduos podem apresentar de resíduo urinário pós miccional e diminuição do jato urinário levando a um aumento na prevalência de ITU.

Diagnóstico

A ITU pode ser totalmente assintomática ou cursar com um quadro clínico de uretrite ou cistite (infecção urinária da bexiga), necessidade de ir muitas vezes ao banheiro, dor/ardor para urinar, desconforto suprapúbico, mal estar, urina turva com mau cheiro ou sanguinolenta, febre baixa ou ausente. Pode ainda cursar com um quadro clínico de pielonefrite aguda (quando acomete os rins), com febre alta, calafrios, dor de cabeça e dor na região lombar. O diagnóstico de infecção urinária é feito através do quadro clinico e de exames laboratoriais. O aumento do número de leucócitos no exame de urina representa indício de infecção urinária. A cultura de urina é o método mais preciso para definir a pre­sença de infecção urinária

Tratamento

Visa erradicar as bactérias, aliviar os sintomas, prevenir lesões renais parenquimatosas e diminuir a possibilidade de progressão da infecção. A seguir descrevemos as situações mais comuns e suas respectivas formas de tratamento.

  • Cistite aguda sintomática.

Mulheres com quadro de cistite simples, podem ser tratadas com curso de três dias de antibiótico terapia. A cistite aguda não complicada em prostáticos deve ser utilizada medicamentos por espaço maior, 7 e 10 dias. Da mesma forma, a cistite aguda complicada (por obstrução, estase do fluxo urinário, diminuição do sistema imunitário) deve ser tratada com 7 dias.

  • Pielonefrite aguda.

Como regra, deve ser tratada com hospitalização, administração de fluidos intravenosos e antibióticos parenterais, principalmente naqueles pacientes toxemiados. Em pacientes com quadro clinico mais brando, o tratamento pode ser feito ambulatorialmente com a administração de antibióticos orais por 14 dias.

  • Prevenção de recorrência.

Alguns pacientes apresentam quadro de recorrência da infecção sem causa aparente, o que é particularmente comum em mulheres com cistite aguda. Quando ocorre recorrência com maior freqüência (três ou mais episódios por ano ou mais do que 2 episódios em 6 meses), pode-se instituir tratamento profilático após a cura do quadro agudo. Em geral, o tratamento supressivo ou profilático é feito por meio da administração de ½ a ¼ da dose terapêutica antibiótica à noite.

  • Infecção urinária durante a gravidez.

Apesar de não levarem prejuízo direto ao feto, as ITUs durante a gestação são um grande desafio devido à limitação na escolha do antibiótico. A bacteriúria assintomática está associada à maior incidência de hipertensão, anemia, retardo de crescimento fetal e prematuridade, principalmente quando associada a quadros de pielonefrite. A bacteriúria sintomática não complicada deve ser tratada por 3 dias.

Importante: Caso você apresente algum dos sintomas descritos acima, procure um médico para avaliação. Se desejar entre em contato conosco.


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